Tenho o privilégio, compartilhado por cada vez menos habitantes de São Paulo, de acordar ao som dos passarinhos, abrir a janela e me deparar com muito verde, graciosamente proporcionado pelo ginkgo biloba que vive no quintal que faz divisa com o fundo do meu próprio quintal. Do meu lado do muro, tenho o prazer de conviver com um limoeiro que vive carregado de frutos, uma pitangueira que neste dia das árvores ostenta orgulhosa suas delicadas flores brancas, uma jabuticabeira, um pequeno manacá e uma jovem paineira, que no futuro alimentará os periquitos que fazem algazarra diariamente nos galhos das árvores da vizinhança.

Como homenagem a essas vizinhas verdes que tanto contribuem para a nossa qualidade de vida, falarei um pouco das árvores dos nossos quintais neste blog, para que todos conheçam melhor esses seres, cujo futuro hoje é incerto por causa da ganância daqueles que só apreciam o verde quando estampado em papel moeda.

Folhas de Ginkgo Biloba

Folhas de Ginkgo Biloba - James Field (cc-by-sa)

Gingko biloba

Quando minha família veio morar nesta casa, ficamos imediatamente encantados com essa árvore, cujo nome desconhecíamos. Nunca tinha visto nada parecido antes, e não é à toa: o ginkgo biloba é uma árvore de origem chinesa, única espécie de sua divisão, Ginkgophyta, e há poucos indivíduos dessa espécie em São Paulo (só tenho notícia de um outro; leia um emocionante artigo da Juliana Gatti sobre o Ginkgo da Rua Bela Cintra aqui).

Poucos meses depois da nossa mudança, as folhas amarelaram e começaram a cair. Não conhecendo a árvore, ficamos apreensivos, mas em alguns meses ela se encheu de folhas e nos ensinou uma valiosíssima lição sobre os ciclos e a vida que se recolhe, mas persiste.

Aliás, essa é a lição do Ginkgo, uma árvore considerada um fóssil vivo, uma vez que não há outras espécies conhecidas em sua ordem pelo registro fóssil desde o Plioceno (cerca de 5 e 2 milhões de anos atrás). Outro exemplo de sua tenacidade foi visto em Hiroshima, no Japão, onde seis gingkos que viviam entre 1 e 2 km do local da explosão da bomba atômica em 1945 foram dos poucos seres vivos a sobreviver. Por isso, ela é símbolo da paz e da longevidade, e eu acredito que sua presença em nosso bairro se deve ao grande número de famílias de origem japonesa que até hoje vivem por aqui.

Além de ser uma árvore muito bonita, ela é constantemente frequentada por diversas espécies de pássaros que nos brindam a todas as horas com seus belos cantos – é realmente um privilégio para quem mora numa cidade como São Paulo, tão perto de avenidas movimentadas como a Vergueiro e a Av. Paulista.

Abaixo, uma imagem do nosso querido Ginkgo, com as folhas já um pouco amareladas, no início de agosto deste ano.

Gingko da Vila Mariana

Gingko Biloba, em imóvel da Rua Joaquim Távora (em primeiro plano, manjericão, primavera e palmeira).

Hoje é Dia da Árvore. E o maior presente que podemos dar a elas é conhecê-las, pois do conhecimento vem a apreciação e o respeito ao direito que esses seres têm à vida, como todos os outros que compartilham este planeta conosco.

Neste dia, rezo para que as árvores que vejo todos os dias pela minha janela, e todas as outras que fazem desta cidade um lugar melhor, possam ter muitos e muitos dias felizes, verdes, vivas, belas, presenteando a todos com sua beleza, abrigo, alimento e tantas outras dádivas. Rezo para que os seres humanos voltem os olhos da alma para esses seres e sejam capazes de ver novamente o quanto nossas vidas dependem do todo, e que nossas ações se refletem por toda a teia da vida – e que no fim, prejudicar outros seres é prejudicar a nós mesmos. Ninguém respira dinheiro, afinal.

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