Verticalização ?

É com uma ponta de desespero que leio as notícias que relatam as tentativas de justificar uma eventual verticalização da região chamada Granja Viana. Estas noticias divulgam o que eu já conhecia através de algumas reuniões para elaboração do plano diretor do município de Carapicuíba, às quais participei como suplente dos representantes do bairro chamado Fazendinha.
O Plano Diretor de Carapicuíba é um documento que irá nortear a elaboração de leis de uso e ocupação do solo . Acompanhei o processo de elaboração deste plano e apesar das aparentes boas intenções percebi algumas distorções e contradições que tentarei trazer à tona com a única finalidade de colocar um pouco de ordem num processo que tende a se tornar caótico por pura falta de aplicação de leis constitucionais já existentes.
Em primeiro lugar, o fato do Plano Diretor ser chamado de “participativo” esconde a tentativa da prefeitura municipal de dar um aval popular à um documento extremamente complexo, impossível de ser compreendido por um habitante típico da região e, além disso, elaborado por técnicos que tem em vista uma visão predominantemente coletiva do problema habitacional do Município, o que não seria um problema se esta visão coletiva não fosse extremamente parcial. Explico: além do Município de Carapicuíba ser tratado como uma região onde o adensamento seria a principal solução para o déficit habitacional, está embutida na discussão desse plano diretor a pretensão de dar um viés de sustentabilidade ao processo, ao mesmo tempo em que qualquer técnico por mais limitado que fosse, compreenderia que adensamento e sustentabilidade estão em posições diametralmente opostas. Há possibilidade de conciliar estes dois parâmetros mas para isso é necessário que haja projetos competentes e uma orientação técnica da qual os técnicos responsáveis pela elaboração do já mencionado Plano Diretor não dispõe.
O que acaba acontecendo é que, em nome de interesses econômicos pontuais, mais especificamente três grandes áreas lindeiras ao Município de Cotia ainda não ocupadas, de propriedade de fortes empreendedores lobistas locais, está sendo aprovado um lamentável projeto de ocupação dessas áreas. Como lamentável conseqüência, projetos de verticalização que poderiam ser interessantes para as outras regiões de Carapicuíba são tratados da mesma forma que projetos pontuais que acabarão se tornando um transtorno para a região da Granja Viana que, além de já sofrer com uma total falta de infraestrutura é a última reserva de áreas verdes que potencialmente poderiam ser usadas em benefício de uma coletividade ainda maior que a coletividade que supostamente irá se beneficiar ao ocupar as unidades habitacionais que eventualmente irão ser geradas.
Não sou contra a verticalização em determinadas áreas. Muito pelo contrário, acho que uma verticalização promovida a partir de projetos competentes, em áreas específicas, atenderia aos anseio de toda a coletividade. Para embasar este argumento bastaria que respeitássemos as leis já existentes que exigem estudos de impacto ambiental.
Da forma como este assunto vem sendo tratado percebo o desrespeito ao bom senso e principalmente percebo a tentativa de favorecimento de grupos isolados que não só se beneficiarão com o uso indevido dos terrenos que possuem, mas deixarão para o poder público o ônus das melhorias de infraestrutura da região que irão ocupar, agravando já graves problemas existentes e criando problemas que ainda não existem, a saber:
1- aumento do tráfego local
2- aumento da demanda de transporte público
3- geração de uma imensa quantidade de lixo e esgotos.
4- aumento da necessidade de um contingente policial para garantir segurança à população que já vive no local e também à população que irá ocupar as novas habitações.
5- aumento da demanda de energia elétrica.
6- aumento da demanda por já escassos recursos hídricos.
7- aumento da demanda de serviços públicos e particulares de saúde.
Para que não admitamos o favorecimento de uns poucos em detrimento de uma população carente que será alocada em habitações que não irão dispor das mínimas condições de infraestrutura, urge que a população e os representantes responsáveis do setor público EXIJAM que, ANTES de emitir alvarás para obras que impactam determinadas regiões, sejam REALIZADAS e CONCLUÍDAS TODAS AS OBRAS NECESSÁRIAS, embasadas em projetos que atendam a estudos OBRIGATÓRIOS de impacto ambiental.
Já passamos da hora de discutir se há elitismo ou não na questão da verticalização da Granja Viana. Essa discussão só convém aos que querem usar a discussão como uma perniciosa e maléfica panfletagem política. Vamos usas o bom senso e exigir que todos as OBRAS que solucionarão os problemas gerados pela eventual verticalização sejam INICIADAS, CONCLUÍDAS E CUSTEADAS pelos empreendedores que se beneficiarão com essa verticalização, tudo isso embasado em estudos competentes de impacto ambiental, de acordo com os 07(sete) itens que apontei pouco acima.
Eng. Claudio Leozzi (Consultor em Sustentabilidade e Eficiência Energética)

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Comentário de Isabela Maria Gomez de Menezes em 15 setembro 2010 às 18:17
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