Segunda sem Carne na Granja - Mais uma matéria da Silvia Rocha

Cenoura, mandioca, batata doce, cará, abobrinha...

Estou na banca de uma feira livre? Estou num sacolão? Na seção de horti-fruti de um supermercado? Não! Estou olhando para a mesa de almoço do Ser Afim, restaurante vegetariano no coração da Granja Viana. E quem está mostrando para mim, orgulhosa, a variedade de alimentos do seu restaurante é Sílvia Belton, argentina com "alma brasileña", uma das sócias da Vila da Mata que, além do restaurante vegetariano, tem a pizzaria vegetariana João do Grão e a padaria Pão do Moa, de pães integrais.



Silvia Belton


Nossa conversa é inspirada no Movimento "Segunda sem Carne" que vai ser lançado sábado, dia 3 de outubro, na Marquise do Parque do Ibirapuera. O movimento é organizado pela Sociedade Vegetariana Brasileira e pela Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente. E as incontáveis delícias oferecidas pelo Ser Afim são apenas algumas opções para quem quiser aderir ao movimento de tirar a carne do cardápio ao menos uma vez por semana. Segundo Sílvia, sua clientela aumenta a cada dia, além de receber um público variado, repleto de jovens, famílias, amigos, executivos sendo que inúmeros dos freqüentadores do Ser Afim não são vegetarianos.

Ser, estar ou ficar vegetariano? Há inúmeras razões para se tornar vegetariano, aquele que consome alimentos baseados em cereais, preferencialmente integrais e frutas, legumes, leguminosas e verduras, de preferência, orgânicos (sem agrotóxicos ou hormônios). Ou outros estilos, como vegano (ou vegan) que não consome nenhum produto derivado de animais, nem usa roupas de couro, seda e lã; ovo-lacto que ingere ovos, leite, queijo e mel, entre outros produtos de origem animal; crudívoro que só come alimentos crus, para preservar seus nutrientes ou macrobiótico, cuja alimentação prioriza alimentos integrais e cozidos, com ênfase aos cereais.

E por que diminuir o consumo de carne? Para os líderes do Movimento "Segunda sem Carne", a principal razão para não comer carne, ao menos uma vez por semana, é de ordem ambiental. Afinal, a indústria da pecuária é responsável por 18% das emissões globais de gases causadores do efeito estufa e também por 80% do desmatamento do bioma amazônico. Afirma-se que para produzir um quilo de carne são utilizados 15 mil litros de água. Portanto, além de preservar a natureza, evita-se "alimentar" uma indústria que abate animais com crueldade e os cria à base de hormônios, para acelerar o tempo de crescimento e abate. Razões ligadas à saúde também são apontadas, como prevenir problemas cardiovasculares e digestivos . E também há questões de ordem espiritual e religiosa. Dentre as religiões que proíbem a ingestão de carne, estão, por exemplo, o Budismo e os Adventistas do 7º. Dia. Para a proprietária do Ser Afim, é uma questão de consciência. Ela e o marido tornaram-se vegetarianos há cerca de 30 anos, depois que começaram a meditar. Passaram do fanatismo ao bom senso. Para ela, a comida vegetariana é mais um tipo de comida, como a árabe, a japonesa, a chinesa. E que não deveria ser discriminada.

A cultura da "mistura". Apesar de argentina, Sílvia conhece muito bem o termo "mistura". Muito utilizado por aqui. Que significa, via de regra, carne às refeições. E também significa um certo status. É como se a refeição fosse pobre, se não tiver carne. Há um sem número de famílias que consome arroz, feijão e carne, quase que diária e invariavelmente. Arroz branco, diga-se de passagem, bastante pobre em nutrientes. E nada de legumes, verduras na mesa. Sílvia acha o Brasil o melhor país do mundo para ser vegetariano e, mesmo estando no País há décadas, ainda se surpreende com a diversidade que o reino vegetal nos oferece. Ela recomenda cuidado ao se tornar vegetariano, pois não comer carne, mas alimentar-se apenas de massa, por exemplo, é temerário: "É preciso ter uma dieta equilibrada, balanceada, para oferecer os nutrientes necessários ao organismo".

Comida de mãe e aconchego foi o final de nossa conversa que se estendeu até um pouquinho antes da hora do almoço... Confidenciou-me Sílvia, admirando a mesa posta, repleta de alimentos coloridos, fresquinhos, enfeitados e caprichados: "Sabe o que me preocupa, o que me deixa triste? As mulheres estão abandonando completamente o fogão! Por isso, em muitas casas, acaba-se fazendo apenas um arroz, feijão, uma salada e uma carne. É mais fácil. Sem falar no "fast-food"! Eu acho que muita gente que vem aqui para resgatar esta "comida de mãe". Porque a cozinha vegetariana é elaborada, é preciso ter muita criatividade, variar bastante os pratos e os ingredientes. Gostaria que as mulheres pensassem nisso... é o meu recado!" "Segunda sem Carne"? Um bom começo!


Restaurante Vegetariano na Granja Viana

Ser Afim
Vila da Mata
Avenida São Camilo, 288 (em frente à Wizard)


Fornecedores de Alimentos Orgânicos

Organic Delivery
Estrada da Fazendinha, 5359
Telefone: 4254-1597 (Juliana)
Site: www.organicdelivery.com.br.

República das Bananas (Fernando Nobre)
Estrada Fernando Nobre, 755 (alt. km 28,5 Rod. Raposo Tavares)
11 4702-2399
(Também entrega a domicílio)

República das Bananas (Filial São Paulo II)
Rua José Giorgi, 210 – Loja 10 (Shopping West Garden)
11 4612-3570
(Também entrega a domicílio)


Apenas entregas a domicílio

Família Dias
11 4611-5889

Reflorestando a Vida
www.reflorestandoavida.com.br
11 4159-4270
11 4611-5746

Kayono
11 9914-1870

Sítio A Boa Terra
(Entrega na Granja Viana)
www.aboaterra.com.br
19 3647-1321
19 3647-1192

Sílvia Rocha é jornalista e mestre em Comunicação Social pela ECA-USP. É poeta haikaísta*, pedagoga e tradutora e mora na Granja há 15 anos. É co-fundadora do Studio Vero, studio de design sustentável que fabrica presentes, mobiliário e displays na Granja Viana. Está prestes a publicar seu livro de poesias Caminho de haikais e, atualmente, trabalha no título O Caminho de São Francisco de Assis e outros caminhos.

* haikai: micropoema de 3 versos, de origem japonesa, inspirado na natureza.

e-mail: silvia@granjaviana.com.br

http://www.granjaviana.com.br/coluna.asp?col=847&coluna=847&...

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