Projeto que será votado em Carapicuíba prevê verticalização perto de condomínios de alto padrão e em área de proteção ambiental

Horizonte. Moradores de condomínios horizontais ja começam a ver, contrariados, edifícios subindo entorno de suas casas

A prefeitura de Carapicuíba, na Grande São Paulo, vai enviar à Câmara Municipal um projeto de Plano Diretor que prevê a construção de prédios no entorno de condomínios de luxo, como a Granja Viana, e em áreas consideradas de proteção ambiental. O texto foi debatido ontem, na última audiência pública antes da elaboração da versão final da proposta, e provoca polêmica.

A prefeitura diz no projeto que o objetivo é promover "melhorias do padrão de urbanização". A área a ser verticalizada soma quase 600 mil metros quadrados em todo o município, de 35 km². O projeto chega ao Legislativo em setembro.

No entorno da Aldeia de Carapicuíba, área de preservação tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), os prédios já se destacam na paisagem. Lá, o Plano Diretor permitirá construções de até 12 metros, o equivalente a quatro andares, a 500 metros da Aldeia.

Nas demais áreas de reurbanização, no entanto, foi regulamentado apenas o tamanho dos apartamentos: 60 m² e 80m². O gabarito (limite de altura dos edifícios) não foi definido, deixando uma brecha para a chegada dos arranha-céus. "Precisamos nos adequar à nova realidade. Os prédios atendem à demanda de uma nova Carapicuíba", diz o o secretário de Desenvolvimento Urbano e Habitação da cidade, Alexandre Pimentel.

Essa nova realidade é o aumento da população: hoje, Carapicuíba tem a terceira maior densidade demográfica do País, com 12 mil habitantes por km². Para o professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP e consultor do plano, Nabil Bonduki, a verticalização "não é problema, é solução". "É melhor promover uma urbanização controlada, impedindo loteamentos irregulares, que deixar que a cidade cresça na desordem", alega.

O imbróglio, argumentam os moradores, é que o projeto de lei não é específico em pontos importantes, tanto na questão habitacional como na que diz respeito às Áreas de Proteção Ambiental (APAs). "O texto chegou com buracos em relação ao que foi discutido com a população, como se o território da cidade fosse homogêneo", diz o arquiteto Daniel Nobre. O texto fala em criação de áreas de proteção, mas não especifica os locais.

Outra questão polêmica são as regiões cobertas pela Mata Atlântica que foram fechadas por cancelas de condomínios. O plano prevê a cobrança de comissão aos condomínios para a criação de outros parques (áreas de lazer), para uso livre do público. O valor ainda não foi estipulado.

Moradora da Granja Viana, a aposentada Délia Costa acredita que a região não suporta a quantidade de moradores que devem chegar atraídos pelos edifícios. "Vai ter muita gente para pouca infraestrutura", afirma.


O que diz o projeto

Verticalização
Estabelecimento de um padrão de ocupação que permita a alta densidade construtiva e a verticalização

Estacionamentos
Incentiva a construção de
bolsões de estacionamentos tarifados e edifícios-garagem

Reurbanização
Desapropriação de áreas à
beira do córrego do Rio Cotia

Compras
Construção de shopping center

Ciclovia
Criação de uma ciclofaixa
interligando parques municipais

Transporte Urbano
Construção de corredores de ônibus e ampliação das alças de acesso à cidade

Serviços
Abertura de um Poupatempo
Ausente
Aguardado na última reunião do Plano Diretor de Carapicuíba, o prefeito Sérgio Ribeiro (PT) faltou ao evento. A assessoria da prefeitura disse que ele estava em um compromisso em outra cidade.

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100816/not_imp595548,0.php


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Comentário de Tania Ferreira em 17 agosto 2010 às 12:51
Isabela, li a matéria que me foi enviada por vários vizinhos nossos. Enquanto estive Secretária do Meio Ambiente e Sustentabilidade em Carapicuíba enfrentei questões como esta. Cheguei a negar pareceres favoráveis a empreendimentos que não condiziam com a realidade de nossa região. Tive que dar esclarecimentos sobre loteamentos que eu não havia autorizado, como o da Alphaville na São Camilo. Criei conflito com alguns colegas secretários na Prefeitura sobre a construção de edifícios na Estrada da Aldeia , construções em áreas de preservação, outras ao longo do Rio Cotia (autorizadas ou não!), apenas para citar alguns. Fui voto vencido em várias ocasiões. Enfim, lutei e continuo lutando para que o nosso meio ambiente e a qualidade de vida sejam preservados. Estou à disposição para agirmos dentro da legalidade a fim de impedir que interesses de uma minoria prejudiquem o bem comum do povo: o meio ambiente. Abraço.

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