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  • Moradores de Laranjeiras e Cosme Velho usam rede social para debater questões de seus bairros
 Na mesma direção. Ciclistas em Laranjeiras: moradores engajados em resolver questões para a melhoria do bairro

Na mesma direção. Ciclistas em Laranjeiras: moradores engajados em resolver questões para a melhoria do bairro


Um por todos e todos por um. O lema dos protagonistas de “Os três mosqueteiros” se encaixa perfeitamente na realidade dos moradores de Laranjeiras e Cosme Velho. A região, com muitas associações, grupos e movimentos, nos quais há vários integrantes em comum, acaba de ganhar mais uma entidade, dessa vez em caráter virtual, com a missão de reivindicar melhorias para problemas pontuais e mais específicos do bairro. A Amigos e Moradores do Cosme Velho, há dois meses em ação, reúne 155 membros em sua página do Facebook, tem status de veterana e já está dando o que falar.

Além de organizar mutirões contra a dengue, os integrantes já elaboraram um projeto de horta comunitária para um terreno da prefeitura abandonado, atrás da Praça São Judas Tadeu, e promoveram reuniões com representantes de órgãos públicos para saber como ficará o bairro, que abriga uma das sete maravilhas do mundo contemporâneo: o Cristo Redentor.

A ideia de criar a página no Facebook foi do advogado João Sodré, de 24 anos. Para ele, o Cosme Velho precisava de uma entidade que desse mais autonomia aos moradores.

— O legal é que ninguém tem cargo de direção no grupo. Fui eu que o criei, mas nesse espaço, sou um membro como qualquer outro. Lá, todo mundo pode ter ideias. Só não costumamos debater problemas maiores do bairro, porque isso a associação de moradores já faz muito bem. As nossas questões são menores, mas não menos importantes — ressalta Sodré.

Hortaliças em terreno abandonado

Os moradores do Condomínio Solar Cosme Velho, em frente à Praça São Judas Tadeu, no Cosme Velho, são vizinhos de um terreno da prefeitura abandonado. Eles decidiram trancá-lo com cadeado para evitar problemas.

— A área de lazer era movimentada. Mas quando retiraram os brinquedos para levar para a praça, que teve melhorias, passou a abrigar mendigos e usuários de drogas — lembra a síndica do prédio vizinho, Kátia Riquet.

E numa conversa informal com uma amiga do Amigos e Moradores do Cosme Velho nasceu o projeto da horta comunitária.

— Agora só precisamos ter aprovação para pôr em prática o projeto — comenta.

A Fundação Parques e Jardins informa que está à disposição para colaborar com a horta e doar mudas. E também diz que incluirá na programação, após a aprovação do orçamento de 2013, a instalação de uma academia da terceira idade no local.

A menor calçada do mundo

“Cuidado com os carros ao andar pela calçada”. Soa estranho? Não para quem mora na Rua Cosme Velho. A recomendação é uma das muitas que a jornalista Luzia London, moradora, faz para a filha de 12 anos, cada vez que ela sai de casa.

— Os carros passam correndo e há trechos da calçada que são muito estreitos. Em um, especificamente, o pedestre tem que se equilibrar no meio-fio. É muito perigoso — comenta Luzia, que também faz parte do Amigos e Moradores do Cosme Velho.

O local, conhecido como “a menor calçada do mundo”, fica próximo à Paróquia São Judas Tadeu e à entrada do Corcovado, onde há grande movimento de turistas.

— A sorte é que a rua vive engarrafada. Então é difícil haver atropelamento. Mesmo assim, no fim de semana, nos feriados ou à noite, quando o trânsito é menos intenso, os carros passam voando e é arriscado andar pela calçada. Eu levo meus filhos de carro para a escola, que fica a duas quadras do meu prédio, para não ter que passar por isso — afirma o engenheiro mecânico Marcus Dornelles Fraga.

Outro ponto crítico, na mesma rua, fica em frente à Panificação Rainha, a poucos metros da “menor calçada do mundo”. No local há uma fila enorme pela manhã.

— Só aqui no Cosme Velho é que alguém se arrisca comprando pão francês — debocha o mecânico Roberto Braga.

De acordo com a Secretaria municipal de Urbanismo, há projetos de ampliação das calçadas no bairro. Ela diz que para aumentar a “menor calçada do mundo”, seria necessário recuar parte do terreno de uma vila de casas, que fica em frente. Já no trecho próximo à padaria, a secretaria explica que também não há muito o que fazer, já que ela está localizada próximo à Casa de Portinari, que é um bem preservado.

Manobras impossíveis

A advogada Raquel Ribas resolveu fazer uma horta na sua garagem. Foi a melhor maneira, segundo Raquel, de usar um espaço sem utilidade alguma em sua casa, na Rua Efigênio Sales, no Cosme Velho. Isso porque flanelinhas que trabalham no local — próximo à entrada do Corcovado —, orientam turistas a estacionar irregularmente nas ruas adjacentes. Com as calçadas ocupadas, a moradora fica sem condições de manobrar o carro na hora de entrar na garagem.

— No lado oposto ao da minha casa é permitido parar. O problema é que eles colocam os carros na minha calçada. Nem chega a ser em frente ao portão de garagem, mas o que acontece é que, como a rua é estreita, fico sem abertura para sair com o carro— explica.

Cansada de usar táxi para não perder seus compromissos, Raquel passou a deixar o carro na rua. Foi aí que a garagem deu lugar à horta.

— O pior é que, às vezes, eu só encontro vaga muito longe de casa. Já fui até multada.

Em nota, a Polícia Militar diz que atua em casos de extorsão, ameaça e dano à propriedade pública ou privada. Segundo a PM, no entanto, é preciso que as pessoas que se sintam prejudicadas denunciem para que haja um flagrante.

Desafio constante sobre duas rodas

Por entre ruas e calçadas estreitas, eles desafiam o perigo sobre duas rodas. Em troca, o trânsito ganha menos carros numa região onde o problema é endêmico. Muitos esforços existem para que sejam criadas ciclofaixas e sinalização especial para quem usa a bicicleta como meio de transporte. Os movimentos Cidades em Transição, Ciclovias Já e Bairro das Laranjeiras fazem coro a essa reclamação antiga, que não sai do papel.

— Muita gente daqui luta por essa causa. Os estudantes do Colégio Franco-Brasileiro (em Laranjeiras) até fizeram um projeto de ciclovia para o bairro, que nós entregamos duas vezes à Secretaria municipal de Meio Ambiente, mas até agora nada foi feito — conta a publicitária Melissa Bivar, que não usa e não deixa o filho, de 12 anos, andar de bicicleta por medo de acidente.

O filho do músico irlandês Simon Stewart-Richardson foi vítima de violência no trânsito. Nem por isso a bike foi aposentada na família.

— Ele sofreu apenas arranhões, mas a bicicleta ficou completamente destruída — lembra Simon, que mora há 25 anos no Brasil e faz parte do Cidades em Transição. — Claro que fico preocupado a cada vez que o meu filho sai de casa de bicicleta. Mas para um estudante, ela é a melhor opção. É muito caro andar de ônibus. Os motoristas deviam ser mais educados e respeitar quem não anda de carro.

E a falta de educação pode gerar mortes. Nas últimas semanas, atropelamentos envolvendo ciclistas têm ganhado as páginas dos jornais. E sempre que há vítimas fatais, a programadora Tatiana Carvalho — que faz parte de um grupo sem nome, que presta homenagens póstumas a ciclistas —, entra em ação.

— Colocamos uma ghost bike (bicicleta branca decorativa) no local do acidente para que as pessoas saibam: ali morreu alguém que andava de bicicleta — explica.

A Secretaria municipal de Meio Ambiente informa que coordena um grupo de trabalho sobre ciclovias que discute soluções para Laranjeiras. E que, apesar do local não contar com infraestrutura adequada, medidas possíveis de serem adotadas estão em discussão.



Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/zona-sul/uma-regiao-muitas-vozes-8395784#ix... 
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