Olá Queridos AMIGOS do Movimento Escolas em Transição!

Participei no dia 2/10 em Sta Teresa a primeira na reunião. Maravilhoso este Movimento!

Encaminho em anexo um artigo que traduzi sobre um trabalho em uma escola publica na zona rural de AUROVILLE, na India. Sendo vizinha as escolas da
"Cidade do Futuro" Auroville, que já trabalham com a concepção da
Educação de LIVRE PROGRESSO do Yoga Integral de Sri Aurobindo. Os
professores daquela escola procuraram integrar no eu dia a dia de
escola publica dentro do velho paradigma, alguma atividade baseado no
novo paradigma e encontraram uma possibilidade na implantação de um
"Espaço de Pintura" segundo metodo do pedagogo Suiço ARNO STERN - quem
se recusou a "colocar" seus proprios filhos na escola e educou- os em
casa. Eu me emocionei muito com o relato da professora que escreveu o
artigo e quero compartilhar esta emoção com vocês!


Quem tiver um tempinho para ler o artigo (ainda necessita de revisão da ortografia e pontuação dem portugues .... rsrsrs) Acho que poderia ser
uma atividade de transição (entre tantas outras) no sentido de criar
espaços dentro da escola que funcionem com base em outro paradigma,
fomentando assim, por meio da experiencia prática, a reflexão e dialogo
mais amplo ...


De qualquer forma quem achar interessante, ou talvez veja uma possibilidade de implantação de um espaço de pintura em alguma escola,
(EPPPAAAA TOU DENTRO ...) por favor entrem em contato! Também vou
tentar me agendar para participar do proximo encontro.


GRANDE ABRAÇO, até lá
ULI
fone: 021 9392 5627

A Mudança de Professor para Servidor: Uma Experiência Pessoal com o “Espaço da Pintura”
de Payal Adhikari
Tradução: Ulrike Rapp,
Associação Nacional de Yoga Integral–ANYI, Rua Marques Porto, 31, Rio de Janeiro-Tijuca, CEP: 20270-260,
Fone: 0212224-0969 2222-2148,

Desde sempre estive interessado em trabalhar com jovens e ajudá-los a desenvolver seu potencial. Foi este interesse que me levou a estudar psicologia até o nível de graduação e pôs graduação. Seis anos atrás o mesmo interesse me fez assumir o primeiro compromisso como professora de inglês na Escola UDAVI, uma escola para crianças dos povoados ao redor de Auroville, mesmo sem nunca ter recebido algum treinamento formal em Educação. Para mim foi uma oportunidade para trabalhar bem junto às crianças, poder entendê-las e esperei poder ajudá-las se tornarem adultos completos e “auto-atualizados”.
Ao passo que eu cresci na minha experiência de ensinar, eu percebi mais e mais que não é fácil de alcançar os objetivos, os quais tinham me atraído para fazer este trabalho. Transmitir informação e achar coisas interessantes para as crianças fazerem não era meu único propósito. Eu queria chegar a outro nível. Para mim era importante ajudar a criança na direção do autoconhecimento. Considero este o primeiro passo para o auto-desenvolvimento.
Na situação tradicional da sala de aula, tentei minhas próprias experiências nesta direção e a minha busca para uma ferramenta mais eficiente para alcançar este objetivo se intensificaram. Foi durante esta busca que encontrei “O Espaço da Pintura/Pintar Brincando” (Tradução direta do livro de Arno Stern em alemão “MALORT”, quer dizer „Espaço/Lugar de Pintura‟, será usado com preferência nesta tradução) Em março 2008 assisti a uma palestra de Arno Stern em Auroville e aprendi sobre o Espaço de Pintura. Imediatamente fiquei tomado pela concepção e a filosofia própria de educação de Arno Stern. Ele ressaltou a importância da personalidade e necessidades inatas da criança: Ele era completamente contra a idéia de qualquer julgamento ou imposição sobre a criança.
Para mim foi um “abrir de olhos” ver que ele não mandou nenhum dos seus filhos para uma instituição educacional, mas deu para eles a oportunidade de crescer e se desenvolver guiadas por usas próprias necessidades e em seu próprio lugar.
Sua palestra me inspirou de assumir o trabalho de um “servidor” ou praticante no Espaço/ Lugar da Pintura, porque me parecia tão alinhado com minhas próprias idéias a respeito do auto-desenvolvimento. Felizmente um colega já tinha começado o programa na escola e eu comecei como voluntário servidor.
Pintar brincando ou O Espaço da Pintura
É um método especial descoberto, desenvolvido e pesquisado por Arno Stern. Inclui um brincar livre com cores, no qual os participantes em um conjunto de condições especiais usam a pintura como meio.
Estas condições foram especificadas por Arno Stern da seguinte forma:
 É conduzido em um espaço fechado, onde o participante não é influenciado por qualquer estimulo ou pessoa externa.
 É uma atividade em grupo. Outros estão presentes como colegas de brincadeira, engajado na similar tarefa de pintura. Os participantes não devem se comunicar uns com os outros sobre as pinturas, mas uma interação informal é permitida.

 É facilitada por um praticante a quem Arno Stern chama de “servidor”. A tarefa do servidor é servir os pintores. Ele/Ela assegura que os materiais e as condições para a brincadeira estão sendo mantidas. Ele /Ela não influencia o pintor nem serve como figura de referencia de alguma forma.
Segundo Arno Stern, “Formulação” é um resultado importante dessa brincadeira. Formulação é um repertorio de figuras que emergem do pintor; não é arte. Ela emerge da necessidade interna do individuo e é um desenvolvimento programado.
A prática da Formulação não é terapia, mas um processo que tem resultados positivos referentes o crescimento e desenvolvimento ao passo que libera imagens da memória orgânica profunda do ser humano. Não é limitado a uma faixa etária e é acompanhado de um prazer profundo.
Durante a sessão de no Espaço de Pintura (“Pintar brincando”) a criança é deixado na frente de um a folha de papel branco, no qual pode pintar o que quiser. Existem algumas regras básicas referentes o uso de tinta e outros materiais, mas o conteúdo depende totalmente do pintor. Ele trabalha (ou brinca) em um ambiente externo estruturado e tem liberdade completa para pintar o que gosta.
As sessões matinais na escola
O programa do Espaço de Pintura na sua atual forma na escola está acontecendo há mais que um ano agora. Meus dois colegas (que também assistiram a palestra de Arno Stern) e eu estamos oferecendo para todos os estudantes das 7ª-s a 9ª-s séries . Cada estudante atende a sessão uma vez por semana. Sem possibilidade de encontrar um espaço para o programa durante as aulas regulares, nos conduzimos o programa de manhã das 7.30 as 8.30 h antes do inicio do horário do dia da escola. Eu agora estou servindo a dois grupos de alunos da nossa escola durante um ano. Eu já conhecia os estudantes porque ensinava inglês para eles. As crianças entre 11 e 16 anos, eram de classes diferentes. Segundo Arno Stern é importante ter grupos de idades diferentes com adultos e crianças em uma única sessão.
Eu recordo as primeiras sessões no “Espaço da Pintura” em Udavi, quando as crianças vieram para uma situação completamente nova e eles não estavam acostumados de forma alguma às condições da “brincadeira”. As crianças da 7ª a 9ª serie tem a experiência de aulas tradicionais ou pelo menos semi-tradicionais aonde o tema, o conteúdo e o meio do estudo são especificaos pelo professor. E assim quando eles entraram eles esperavam orientações sobre „como‟ e „o que‟ devem fazer. Acho que foi uma surpresa para eles (e para alguns até desconcertante) aprender somente algumas regras sobre o uso dos materiais e depois estar deixados livres para pintar o que desejarem.
Eu tive muitas destas crianças na frente do papel com um pincel na mão sem saber o que fazer. Recebi muitos olhares desesperados quase me implorando para dizer o que devem fazer. Na ausência de qualquer estimulo da minha parte ele estavam sem opção a não ser começar a pintar. “Poderiam eles pintar algo sozinhos, sem a orientação de um professor?” Muitos começaram com o que tinham aprendido nas aulas regulares de pintura. Lindos koluns1, montanhas, flores, sois e paisagem nasceram nas folhas de papel durante semanas. Habilidade artística manifestou-se com vigor nestas primeiras semanas. Aqueles sem benção de habilidade artística tentaram apresentar o que sabiam melhor. Por exemplo, um mapa escolar, o mapa da Índia! Com certeza eu tive os estudantes mais patrióticos que a Índia pode desejar.
Foi interessante perceber que este entusiasmo artístico começou a perder seu vigor na ausência de apreciação por parte de um adulto na sala. Irregularidade e falta de alguns foi um sinal dessa perda de interesse. Mas não permitimos que este comportamento continuasse e tomamos medidas porque segundo Arno Stern a regularidade é obrigatório para o êxito do programa, especialmente nos primeiros meses. Por isto muitos dessas crianças se encontraram de novo na frente de um papel branco, sem seu
1 Koluns = desenhos tradicionais do sul da Índia criado no chão ou nas entradas das casas com pó colorido. Uma tarefa muitas vezes exercido pelas filhas ou mulheres da casa.
entusiasmo artístico, sem saber o que pintar. Na ausência de um estimulo externo e com a nossa insistência na sua participação iniciou-se uma busca ...
Penso que a pergunta nas cabeças dos que tinham habilidade artística poderia ter sido “Podemos pintar algo só para nós mesmos, se bem que apreciado por ninguém ou exposto em nenhum lugar?” Aqueles que não eram artistas vivenciaram um alivio por suas pinturas não serem julgadas ou corrigidas. A barreira de auto-consciencia que os separou desse meio desapareceu e eles começaram a pintar livremente. Neste ponto acredito, que as crianças começaram a buscar algo que podiam criar para si mesmos. Aos poucos um outro tipo de interesse cresceu; Eles não tinham que pintar para satisfazer alguém.
Penso que cada um começou a perder a autoconsciência que nasceu do conhecimento do fato que será julgado por este trabalho e no seu tempo começou a descobrir sua própria historia a ser contada neste papel na sua frente. Eles olharam para dentro da sua experiência para trazer algo para o papel. Muitas vezes parecia não acontecer nenhuma “premeditação” sobre a pintura. Eles simplesmente pegaram o pincel e pintaram sem nenhum objetivo na mente. Eles permitiram que as cores e imagens fluíssem espontaneamente. Eu me perguntei se isto poderia ser um primeiro passo para chegar além do conhecimento mental e a aceitação da presença de um outro processo interior.
Ao passo que se acostumou com as condições do Espaço de Pintura, eles começaram a experimentar por sua conta, sem nenhuma iniciação pelo servidor. No entanto eles perceberam o que os outros participantes estavam fazendo no Espaço, e usaram isto como recurso para sua experimentação. Experimentaram com temas, cores, misturando cores, tamanho da pintura (o numero de folhas que poderia ser usado) detalhes que poderiam ser acrescentado à pintura e os traços que poderiam ser usados. Cada um teve seu caminho que queria explorar no seu papel.
Algumas observações individuais
Como eu era professora deles eu conhecia a maioria dos alunos e estava familiarizado com o seu comportamento e postura nas condições da sala de aula. Não usei este conhecimento para influenciar meu comportamento ou serviço nas sessões no Espaço de Pintura, mas estava lá no fundo da minha mente me permitindo de fazer algumas observações que gostaria de compartilhar.
Nestes sessões tinha muitas meninas com um contexto familiar tradicional. Em casa elas não são permitidas muita liberdade, e são educadas para serem obedientes a seus pais e maridos e sogros futuros. Estas meninas pintaram koluns após koluns (flores) por meses sem fim. Algumas semanas antes da ultima sessão (após 8-9 meses participando das sessões de pintura), finalmente percebi um raio (vislumbre) de experimentação dessas meninas. A estrutura básica do kolun ou flor estava lá, mas emergiram tentativas sutis de mover para algo diferente. Elas mantiveram a forma (do kolun ou flor) que era uma segurança para elas. Mas estavam tomando primeiros passos para explorar imagens diferentes. Fiquei me perguntando: Poderia esta abertura para novas cosias tocar outras áreas da sua vida também? Após meses de repetição sua exploração chegou ao seu tempo sem qualquer iniciação da minha parte; As crianças seguiram a sua própria necessidade interior. Em condições de sala de aula mais tradicionais eu teria sido tentada de sugerir novas formas para pintura, mas definitivamente não era o caso nas sessões do Espaço de Pintura.
Um participante de onze anos era um menino traquino cujas atividades favoritas incluíram cair de arvores e caçar animais pequenos. Este menino pequeno era um pacote de energia incontrolável. Sempre me doía pedir a ele ficar concentrado na sala de aula; parecia uma imposição artificial num feixe de entusiasmo. Como você pode prender um passarinho livre? Eu não sabia como fazer para canalizar sua energia. O Espaço de Pintura foi um verdadeiro pesadelo para este camarada. Ficar em pé diante de uma folha de papel por minutos sem fim era uma impossibilidade. Ele nunca podia ficar quieto ou até ereto, sempre estava encostado em alguma coisa. Ele tentou muito escapar das sessões. Contudo eu mantive firmeza com ele e disse a ele que tem que vir, mas fiz um trato com ele que podia liberar ele
quando ele quiser sair durante a sessão. No inicio ele só ficou uns poucos minutos e depois saiu. Com tempo, a sua permanência na sala aumentou. Até hoje ele não consegue ficar a sessão inteira e sua atenção ainda é esporádica, variando com seus humores. Mas eu percebo concentração e atenção crescendo nele, bem lentamente.
Outro estudante que me recordo é um de 15 anos. Ele era o que você chamaria de estudante modelo, que era bom em tudo: bom nos esportes, nas disciplinas acadêmicas e nas extracurriculares. Uma vez ele me falou que era muito importante para ele ter metas e atingi-las. Sucesso era muito importante para ele. Ele veio conscientemente às sessões e pintou meticulosamente (recriando imagens de deidades) porque ele achou que era uma aula regular. Lentamente eu pude perceber uma crescente frustração como suas aptidões artísticas não foram apreciados ou comparados com os outros. Um dia eu notei que ele começou a respingar cores no papel e nada concreto foi pintado. Este foi seguido por um trabalho similar. Penso que foi um limiar importante. Ele parecia libertar si mesmo das correntes que ele criou pela necessidade do sucesso. Ele deixou um movimento natural se expressar na ausência de um objetivo.
Tinha uma outra criança de 11 anos, muitas vezes atrasada nas aulas e nas tarefas de casa porque estava academicamente atrás dos outros. Normalmente eu tive uma luta grande com ela para conseguir fazer qualquer cosia, e estava constantemente irritado por sua atitude de “não dar importância”. Eu me surprendi verdadeiramente ao perceber que ela estava fazendo um esforço sincero para chegar na hora para as sessões no Espaço da Pintura. Ela parecia ter um sentido de missão. Ela estava conseguindo uma pintura no qual estava trabalhando por semanas. A sua pintura definitivamente não era uma criação artística no sentido tradicional, mas parecia ser importante para ele. Nunca o vi tão concentrado e eu pensei comigo mesmo “Porque eu tenho que lutar com esta criatura na sala de aula, quando ela obviamente tem a capacidade de se concentrar e completar tarefas? No entanto é verdade que ela caiu na sua atitude indiferente até que pegou gosto com outra pintura.
Muitas vezes eu me senti insuficiente como professora de duas meninas de turmas diferentes. Sempre tive a impressão que elas estariam fazendo algo muito mais interessante que eu estava oferecendo na aula de inglês. Quando elas chegaram às sessões do Espaço de Pintura, percebi-as absortas trabalhando com assiduidade. Uma trabalhou duro detalhando suas pinturas. A outra explorou o espaço e tinha prazer em usar quantas folhas possíveis para completar uma única pintura. Foi uma realização para mim notar que meus planos de aula não poderiam evocar a mesma preocupação que eu testemunhei na Sala da Pintura. E foi um prazer vê-las tão preocupado e concentrado. Na sala de aula eu estou limitado por meu constrangimento o qual não me permite adaptar os planos de aula com as necessidades das crianças. Os planos de aula estão sendo orientados por metas acadêmicas. Os alunos são forçados (O sistema é assim) a aceitar estas metas e usam a mim como ponto de referencia para realizar esta meta. Quantas vezes me deparei com a distancia entre a meta por mim construída para a criança e o seu estado atual de ser. Como era fácil para mim rotular uma criança como “lenta”, “fracasso” ou “sem esforço”. E no entanto aqui estava a mesma criança mostrando todas suas qualidades que eu desejei na sala de aula. A diferença era que as crianças definiram suas próprias metas e conseguiram realizá-las da sua própria maneira. Próprio caminho sem a interferência de ninguém.
Como servidora não tive que carregar o fardo do julgamento do trabalho das crianças e a sua comparação com um conjunto padronizado de normas. Apesar dos meus melhores esforços, o sistema me compele a ter expectativas das crianças e avaliá-las. Muitas vezes recebo uma olhar magoado, quando tenho que dar uma avaliação negativa por trabalhos escritos ou orais quando não são de acordo com os padrões esperados. Isto não era minha tarefa nas sessões de pintura. Foi um alivio. Eu adorei deixar-lhes ser do jeito deles e não ter que impor minhas expectativas sobre eles.
Contudo, tendo dito isto, sinto que o ensino ainda me prove com boas oportunidades de trabalhar com crianças. Não sinto a necessidade de parar de ensinar, mas me tornei um professor de outro tipo. Fiquei
mais na atitude de aceitação com as crianças. Tem dentro de mim uma sensibilidade maior porque na sala de pintura testemunhei como cada criança tem uma lei diferente de Ser e Crescer.
Algumas Observações do Grupo
Como eu mencionei anteriormente, os grupos são mesclados com crianças de turmas diferentes, idades e sexos. Convidei também alguns adultos de pintar regularmente com as crianças. Aos participantes não é permitido fazer comentários sobre as pinturas de cada um. Como servidor eu tampouco faço nenhuma observação, nem respondo a observações dos participantes sobre sua pintura.
As sessões podem ser bem intensas, porque tem 14 a 15 pessoas em uma sala pequena, compartilhando materiais comuns e o servidor tem que garantir o fluxo livre da atividade. As crianças se concentram no seu trabalho, mas às vezes tem conversas informais, brincadeiras e risos. E tem silêncio também. Nos momentos de silencio a energia concentrada é quase tangível.
Na sala de aula, eu era o recipiente para as demandas das crianças. Sendo o único professor ali, eu percebi que só podia dar uma quantidade limitada de atenção e muitos ficaram sem nenhuma. Percebi muitas vezes que minha atenção teve a tendência de fluir automaticamente para aqueles que a demandaram de forma mais inflexível. Os mais quietos encolheram para o fundo. Eu sempre estive consciente que não cumpri de jeito nenhum com meu dever. Ainda, como tive que perseguir metas acadêmicas enquanto estava ensinando inglês, a natureza da minha atenção também foi muito “acadêmica”. Aqui na sala do Espaço de Pintura foi diferente; Não fiquei no pedestal, e não fui admirada como fonte de conhecimento. Eu era uma servidora, garantindo que os alfinetes estavam no lugar, os potes de tintas cheias, cores sendo misturadas quando requeridas e a água sem pingar. Eu me surpreendi percebendo que gostava de estar à disposição e atender as chamadas das crianças. Se a tinta estava pingando, eu tinha que correr atrás e fazer a tinta parar, não importa o que estava fazendo. Eu estava forçada a estender e intensificar minha atenção para incluir todos com suas atividades. Tive que aprender ser „multi- tarefas‟, preparar a tinta para um e colocar as agulhas para outro numa ida só. Não podia excluir nenhuma criança. Tive que cuidar de todas as necessidades. Foi interessante que estava trabalhando com os mesmos estudantes que me viram na sala de aula como professora. Naturalmente eles gostaram de me dar ordens. Os chamados: „Akka2 tinta‟, „Akka misturar‟, „ pingando‟, „Akka terminei‟, „Akka estou esperando as agulhas„! Ainda ressoam nos meus ouvidos.
Tem algumas crianças dos quais eu sei que eles necessitam atenção afetiva especial a qual sou incapaz de dar na sala de aula por causa dos limites de tempo e o rigor acadêmico. Também estou limitado pelas normas do relacionamento Professora-Aluno/a. Um menino que ensinei há muitos anos veio às sessões de pintura. Sempre senti que ele queria mais atenção minha nas aulas de Inglês. Suas habilidades lingüísticas não eram tão boas e ele se sentiu intimidado para demandar atenção na frente dos outros. No entanto na Sala da Pintura ele não estava engrigilhado por sua falta de confiança e minha falta de tempo; ele iria chamar por minha ajuda por todos os tipos de cosias: „se podia usar um pote da mesa das tintas misturadas‟, „se eu poderia enxugar suas mãos molhadas„, „se eu poderia lavar sua mão que estava com tinta misturada‟. Eu dei meu serviço e minha atenção. Dei livremente, sabendo que isto era seu jeito de se relacionar comigo; seu jeito de manter o contato comigo de uma maneira impossível na sala de aula regular.
Minha própria experiência como pintora
Lembro da minha aula de arte na escola com uma sentimento de apreensão até hoje. A lembrança mais viva é uma „Prova de Arte‟ há quinze anos. No final da sessão eu olhei para meu papel e me encolhi –
2 Akka –palavra tâmil para irmã mais velha. As crianças de UDAVI gostam de chamar os professores de ‘irmã mais velha’ ou irmão mais velho’ - mais que falar com eles formalmente como Senhor/Senhora
um vaso grande com bolas redondas nele. “Foi isto o melhor que eu podia fazer?” Tentando o melhor para esconder a ‟peça mestra‟ entreguei para o supervisor, encolhendo de vergonha da minha inadequação. Foi isto. Desde dia em diante rotulei a mim mesma como „não artista‟ com nenhuma habilidade estética. Fechei-me para tudo que de longe tinha a ver com arte ou estética.
Mas eu recordo meus cadernos da escola e faculdade – cheio de rabiscos, colagens e desenhos abstratos. Durante as longas aulas, penso que passei o tempo mais concentrado rabiscando no papel. De onde veio esta necessidade? Porque estava aí?
Agora muitos anos depois, após a palestra de Arno Stern decidi de participar em uma sessão de pintura conduzida por um colega da escola com meus alunos de inglês como co-participantes. Quando eu entrei na sala do Espaço de Pintura como pintora, estava cheio de sentimentos ambivalentes. Sabia que não „sabia‟ pintar, mas dentro de mim estava uma emoção para explorar, um médium que ainda era fascinante para mim, mas do qual eu tinha sido separado rudemente anos atrás. Vivenciei uma liberdade fascinante e controlado neste espaço. Ausência de julgamento sobre mim era um prazer tão doce para mim. Isso me deu a liberdade de experimentar e explorar formas, cores, imagens e minhas próprias únicas (preocupações) explorações.
Por exemplo eu estou intrigada por limites, concordo que é um interesse estranho e bizarro. Vi a mim mesma pintando retângulos e círculos e tentar preencher os espaços sem que a tinta transborde para fora. Este foi um processo absorvente para mim.
Algumas vezes, imagens surgem por vontade própria e eu fico pintando como se eu fosse conduzido internamente por algo. Tem algumas pinceladas que parecem até ter um efeito físico de me suavizar. Tem algumas imagens geométricas que eu quero repetir sempre de novo. Eu penso sobre estas imagens até fora do Espaço de Pintura e espero com ansiedade uma semana até que possa pintá-las de novo. Foi uma necessidade que ainda não entendo, mas sei que foi importante para mim. E algumas vezes eu criei meu próprio mundo no papel, imagens comunicando o que somente eu podia entender, uma linguagem que somente eu podia falar. Eu não estava obrigada a incluir outros. Outros estavam presentes, sim, mas ocupados nos seus próprios mundos. A sua presença fez com que a atividade foi um processo alegre e feliz. Um horário e dia fixo reservado para a atividade ajudou, porque dessa forma a pintura não dependeu dos meus caprichos e gostos. Eu adorei profundamente pintar exclusivamente para mim e com as crianças, eu fiz os meus pequenos experimentos de uma maneira prazerosa e concentrada.
Após um ano como servidora me sinto rico porque finalmente tenho uma ferramenta que me ajude a chegar mais perto do meu objetivo de ajudar crianças crescerem de acordo com suas necessidade internas. Como professora tenho um papel a cumprir e um trabalho a fazer, necessários na realidade de hoje. No mesmo tempo posso oferecer algo mais através das sessões de pintura. Não importa com quanta boa vontade eu entro na sala, as lições e objetivos são as minhas e baseadas nas minhas percepções do que é necessário. Às vezes as percepções estão em "tandem" com as necessidades da criança e às vezes não. É óbvio que terá uma perda de interesse quando minhas percepções não estão de acordo com as suas necessidades verdadeiras; neste caso a criança tem que criar artificialmente o interesse dentro de si para dar conta da pressão educacional e das exigências sociais. Ele tem que oprimir sua preocupação e interesse porque não é ele quem está decidindo o que fazer na sala de aula. Durante as sessões de pintura, eu não estou impondo nas crianças minha personalidade, meus pensamentos, meu conhecimento ou meus planos de aula. Quando não tem imposição de fora, as crianças andem no seu próprio ritmo. Não estou criando ou prolongando minha experiência para eles ou cortando alguma experiência. Eles criam suas próprias experiências e ficam com elas o tempo que é necessário. O resultado é um movimento orgânico de consciência, com certeza levando a algo positivo.
Payal Adhikari está ensinando há 7 anos na Escola Udavi / Auroville

RITAM, Vol.6, Issue 1 June 2009, page 14-19, A Journal of Material e Spiritual Researches in Auroville
SAIIER - Sri Aurobindo International Institute of Educational Research

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