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Cidades em Transição

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Criado em 2004, o movimento Transition Towns (Cidades em Transição) foi idealizado pelo professor de permacultura Rob Hopkins, com o objetivo de estabelecer um novo modelo de desenvolvimento para sua cidade, Totnes, na região Sudoeste da Inglaterra. Com a experiência de mais de dez anos em projetos de permacultura e ecovilas, Hopkins mobilizou a população local sobre questões como mudanças climáticas, crise energética e sustentabilidade. Depois de um período de debates e mobilização, o Transition Towns Totnes foi oficialmente lançado como movimento em 2006. Em pouco tempo, a cidade conseguiu implantar uma série de transformações que a tornaram vitrine do movimento, hoje presente em 34 países, inclusive no Brasil. O site Marco Social entrevistou Isabela Menezes, articuladora da rede nacional do Transition Towns e fundadora do movimento na Granja Viana, na região metropolitana de São Paulo.

Como você teve contato com o movimento?
Em 2009, conheci o Transition Towns através dos amigos Marcelo Todescan e Frank Siciliano. Eles, juntamente com Monica Picavea, foram à Inglaterra depois de ter contato com o movimento através da ativista May East, e fizeram o  treinamento dado pela rede internacional, a “Transition Network”. Assim que voltaram, Monica começou o grupo de transição no município de Serra, no Espirito Santo, e Marcelo e Frank articularam um treinamento oficial na Universidade Aberta do Meio Ambiente e da Cultura de Paz (UMAPAZ), em São Paulo, do qual participei. Logo depois, organizei um grupo no distrito de Granja Viana, onde moro. Hoje, Marcelo, Frank e Zaida Amaral são os treinadores oficiais no Brasil, e contamos ainda com May East como treinadora internacional.

O movimento é baseado na permacultura e traz conceitos que aproximam o homem da cidade ao campo e à natureza. Como se dá a aplicação dessa metodologia em comunidades urbanas?
A permacultura está totalmente inserida dentro do movimento. Precisamos ter uma visão 360º das nossas ações para que elas causem o mínimo de impacto possível e ao mesmo tempo beneficiem o maior numero de pessoas. Queremos aproximar o homem do campo e da natureza, e voltar a sacralizar o que foi dessacralizado pela humanidade. A terra merece mais respeito do ser humano. Temos que estar próximos dos ciclos do planeta para reinventarmos nossa existência de uma maneira mais sustentável.

A proposta do Transition Towns extrapolou as fronteiras da Inglaterra e se expandiu para outros países. Como o movimento se espalhou tão rápido?
Por ser um movimento de caráter positivista, ele não se foca no que está ruim e sim no que podemos fazer para que deixe de ser ruim. Trata-se de um movimento onde você trabalha com problemas locais, reunindo a comunidade para pensar e criar juntos. Fazer a transição para uma vida de menor impacto, mais resiliente e mais conectada com a comunidade e com a natureza, faz todo o sentido e traz muita felicidade. O Transition Towns é uma fórmula de sucesso.

Como as ideias do Transition Towns estão se adaptando à realidade brasileira?
O movimento nos fornece uma metodologia com uma série de ferramentas que nos ajudam a criar e unir a comunidade para atuar em conjunto em prol de um objetivo comum. O Transition Towns não cria ações que devemos implementar no sentido de trazermos mais resiliência a uma determinada comunidade. Cada grupo em seu respectivo país tem liberdade e autonomia para elaborar suas próprias ações, levando uma comunidade, por exemplo, a migrar de um modelo desgastado para outro mais sustentável, menos dependente do petróleo, mais integrado à natureza e resistente a crises externas.

O movimento está se multiplicando no Brasil e as experiências da favela Brasilândia e dos agriculturas de Cotia, em São Paulo, ganharam bastante destaque. Como ele está se organizando no país? Existe uma unidade ou são iniciativas independentes?
O movimento está espalhado de norte à sul do país e conta com uma rede colaborativa onde todos se conectam e cadastram suas iniciativas. A rede é aberta a todos e conta com cerca de 1.615 membros. Essa é a nossa forma de união. As iniciativas são independentes, mas há um intercâmbio entre todos. Temos um time de treinadores oficiais que organiza palestras e treinamentos por todo o país, mas o movimento é totalmente "opensource", ou seja, o material que qualquer pessoa precisa para iniciar um grupo de transição está disponível no nosso site e também no site da rede internacional do Transition Towns.

No caso da experiência dos agricultores de Cotia, o movimento não só resgatou a atividade agrícola daquelas famílias, mas também mudou todo o estilo de vida delas. Fale um pouco sobre este exemplo.
EcoFeira, que foi organizada pelos agricultores a partir da experiência do Transition Towns, é uma alegria para todos da região. Ela não só aproximou o consumidor do produtor local, mas também fez com que todos tomassem consciência da importância do consumo de alimentos orgânicos e da valorização e fortalecimento desses produtores. Isso nos trouxe resiliência e novos amigos, e nos reconectou também aos ciclos da natureza. Hoje, os moradores da Granja Viana sabem, por exemplo, quando é a época do tomate, do aspargos e da manga. O numero de habitantes do planeta cresce assustadoramente e para alimentar a todos de uma maneira digna, temos que voltar nossos olhos e corações aos produtores locais! Nosso alimento vem dali e é ali que temos que ajudar e valorizar.

O que é necessário para quem tem interesse em implantar a metodologia do movimento em sua comunidade, por exemplo?
Basta entrar em contato com a rede através do site ou pelo e-mail transitionbrasil@globo.com, e nos chamar para uma palestra ou treinamento. Temos um time de pessoas fantásticas que ajudam a espalhar a semente da transição. Outra maneira é entrar na rede de forma independente, fazer o download no manual e se jogar nessa aventura deliciosa que é recriar sua comunidade e atuar na sua região.


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